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Dossier Formation des instituteurs pour une autre éducation infantile

Artes Visuais: contextualizações sobre o fazer, o apreciar e o teorizar

, por LOSADA Terezinha , MORETTI Gabriela , QUINTANILHA Moema

Diante do convite para ministrar as aulas de Artes Plásticas do Módulo para “Educação Estética e Infâncias” no Curso de Extensão em Educação Infantil da UNIRIO nos reunimos com o objetivo de enfatizar uma formação estética e artística dos participantes, levando-os a dimensionar vivencialmente as múltiplas possibilidades e a importância da arte na educação infantil. Fomos assim elaborando um planejamento a partir daquilo em que acreditávamos: uma construção de conhecimento com base numa experiência contextualizada como nos ensina Paulo Freire.

No entrecruzamento das nossas experiências no campo da arte e educação, fomos nos dando conta da diversidade das nossas propostas ao mesmo tempo em que fomos percebendo também que havia uma complementaridade entre elas e que, curiosamente, se aproximavam dos eixos da Abordagem Triangular formulados por Ana Mae Barbosa: o fazer, o apreciar e o contextualizar.

A partir dessas discussões estabelecemos nossa metodologia de trabalho em que cada uma de nós elaboraria uma única oficina em torno de sua expertise, ministrando-a alternadamente para os três grupos. Buscaríamos ao longo de todo o processo, e numa reunião final com todo o grupo, estabelecer os elos entre as três oficinas. Além dessas especificidades, concluímos que a convivência com as três professoras (cada qual com suas referências teóricas, repertórios de imagens artísticas, modos de agir em sala de aula e temperamento) por si só enriqueceria a experiência dos alunos.

Definimos, então, o nosso programa: Moema enfatizaria em sua oficina o “fazer” artístico, Terezinha, a “apreciação” e Gabriela, o “teorizar”* sobre a dimensão estética da vida e da arte, sendo que todas as oficinas seriam teórico-práticas, instigando os participantes a “contextualizarem” as diferentes experiências na sua vida pessoal e profissional.

Fundamentos da educação estética na prática da criação e arte na infância

(Moema Quintanilha)

Iniciei o curso com uma oficina com a proposta da criação de álbuns de registro individuais das vivências durante o curso. A ideia era que cada participante do curso confeccionasse seu álbum de registro de forma personalística, escolhi os suportes, maneiras de fechamento, formatos, materiais que mais se identificassem. Uma prática criativa na qual iria se registrando o que aconteceu nas aulas, as reflexões, processos de criação, as ideias de desdobramento a partir do curso na prática do dia a dia na sua realidade escolar, os resultados obtidos, transformações e considerações. Que este álbum servisse como um elo de consulta e inspirações para as próximas e novas práticas das atividades escolares. Cada participante foi encontrando sua própria forma expressiva de se colocar no seu álbum, impressões, relatos, desenhos, colagens, fotos, informações ligadas ao assunto, poesias e tudo o mais que relacionasse com as experiências durante o percurso do curso e seu aprendizado em geral.

Cada página era o resultado também de uma sensibilidade de composição, uso de cores, ocupação do espaço, combinação de recursos, experiências artísticas. Como a oficina se deu no início do curso, durante o desenrolar dos outros módulos, cada aluno foi interagindo com seu álbum por conta própria, combinando de compartilhar com os demais ao fim do curso.

Assim, durante a oficina, apresentei trabalhos em arte na educação infantil através de imagens quando os alunos se remeteram às suas experiências, trocaram experiências e também refletiram sobre as suas próprias. Fiz então um painel com palavras relacionadas e inter-relacionadas aos temas infância-arte-educação, algumas antes citadas ao descreverem suas vivências, dificuldades e sonhos.

Partimos então para trabalhos grupais inspirados na observação dos itens e conceitos colocados, utilizando os objetos diversos oferecidos a partir de pigmentos, aglutinantes, suportes, informações, estruturas, materiais e texturas. O desafio era fazer experimento que fosse inusitado para cada um, como uma forma de possibilitar descobertas e inovações baseadas numa proposta combinada em grupo. Os grupos apresentaram seus trabalhos, seus temas, e cada um relatou seu processo de exploração e observações relacionadas sobre o que tinham comentado nos temas infância-arte-educação e a prática.

Numa segunda experiência, partimos do individual para o grupal. Ao ar livre, impregnados de cheiros, sons, arvoredos, briza e céu aberto, fizemos uma dinâmica de percepção das sensibilidades. Em seguida, os alunos caminharam pelo espaço tendo como proposta se perceberem e perceberem o espaço, recolhendo objetos que encontrassem ao acaso e os atraíssem conforme sua sensibilidade por algum motivo. Depois de um horário estipulado, formaram-se em grupos de acordo com a proximidade física do momento e, então, mostraram seus materiais recolhidos aos seus companheiros de grupo. Eles brincaram com os objetos criando composições estéticas que eram construídas e desconstruídas incessantemente, induzidas pela semelhança ou distinção dos materiais, formas, grossuras, texturas, cores, mensagens, uns naturais, outros de descarte de embalagens, criando a cada vez novos quadros, novos significados, até chegarem a um formato conclusivo. Depois, os alunos se dirigiram à apreciação dos trabalhos sendo que cada aluno apresentou uma poesia ou história criada individualmente diante da obra realizada por seu grupo. Ainda diante de suas produções, eram levantadas questões, avaliações e reflexões relacionadas ao processo de desenvolvimento do conhecimento, limitações e possibilidades, de acordo com as oportunidades oferecidas aos alunos.

Brinquedos x Ferramentas na educação: Dimensões estética e instrumental da linguagem visual

(Gabriela Moretti)

Caminhando para uma experiência dessa oficina, a turma se voltou para a discussão da dimensão estética e instrumental da linguagem visual, realizada a partir da leitura dos capítulos “Caixa de Ferramentas” e “Caixa de Brinquedos” do livro Educação dos sentidos e mais, de Rubem Alves. A oficina chamada Brinquedos x ferramentas na educação: Dimensões estéticas e instrumentais da linguagem visual discutiu experiências realizadas para a análise dos princípios da Abordagem Triangular de Ana Mae Barbosa (Fazer, Apreciar e Contextualizar).
 
A turma iniciou com cada um realizando um desenho de um mapa do percurso de sua casa até a UNIRIO, abrindo a possibilidade de pensar no desenho utilitário. Após o término do desenho do mapa foram colocados três tipos de música: clássica (Vivaldi - 4 estações - Primavera), eletrônica (Kraftwerk - The Robots) e rock (Rush - YYZ), e a turma de olhos fechados desenhou individualmente – uma folha para cada estilo de música. Foram apresentadas duas caixas identificadas como ferramentas e brinquedos, e a partir disso a turma classificou os objetos que foram levados e também seus próprios desenhos, se relacionados a brincadeiras ou ferramentas. Cada turma olhava para um mesmo objeto com diferentes olhares, uns achavam que era ferramenta, já outros que era brinquedo! Separado tudo em caixas, lemos um pouco de Rubem Alves e com isso conseguimos fazer uma análise das classificações feitas nas caixas, repensando as dimensões puramente estéticas e instrumentais da linguagem visual.

Em um segundo momento, partimos para a análise dos princípios da Abordagem Triangular de Ana Mae Barbosa. No cenário da apreciação, foram apresentadas três obras de diferentes estilos: Monet (Impressionismo), Mondrian (Abstracionismo Geométrico) e Pollock (ActionPainting). Com isso foi possível questionar o grupo sobre o que sentiam ao admirar as obras, escrevendo um pequeno texto sobre o que aquela obra expressava para cada uma. Entrando no cenário do fazer, a turma relacionou cada obra com o desenho feito pelos alunos individualmente sobre as músicas apresentadas no início da aula. Já a cena da contextualização ocorreu quando a turma relacionou as obras com as músicas já apresentadas (Monet/Impressionismo x Vivaldi/Clássico, Mondrian/Abstracionismo Geométrico x Kraftwerk/Eletrônico e Pollock/ActionPainting x Rush/Rock), ou seja, quando perceberam a contextualização histórica sobre os estilos e contextualização estilística explorando as semelhanças entre as linguagens visual e musical.

Apreciação Artística - aplicação dos princípios do processo comunicativo de Roman Jakobson

(Terezinha Losada)

As obras de arte nos causam impressões sensíveis e imediatas, ora nos enternecem, ora nos causam um sentimento de tristeza ou mesmo indignação, ora nos surpreendem, intrigam, ou mesmo desagradam. Diferentemente das crianças, que falam delas como de qualquer outra coisa que veem, é muito comum que jovens e adultos se sintam inibidos em manifestar suas impressões sobre a arte, sempre aguardando a opinião do professor ou dos guias de exposição.

Como professora, sempre me incomodou essa “aura” de erudição sobre as obras de arte. Pois, considero que o discurso especializado dos críticos e historiadores, necessário para termos uma visão mais crítica e profunda das obras, deveria enriquecer, libertar o olhar do aluno, e não inibi-lo. Diante disso, em vez de apresentar aos alunos as interpretações realizadas pelos grandes teóricos, passei a apresentar-lhes apenas as questões e os critérios de análise de seus métodos de pesquisa (filosófico, histórico, sociológico, antropológico, semiótico etc.) instigando-os a pensar “junto”, ou melhor, “com” as ferramentas conceituais dos teóricos, para realizarem suas próprias interpretações sobre a imagem.

Na oficina trabalhamos com a teoria semiótica do processo comunicativo, desenvolvida por Roman Jakobson (1969): um “emissor” para enviar uma “mensagem” para um “receptor”, sobre qualquer tema “referencial”, precisa dispor de um “canal” e de um “código”. A teoria foi apresentada aos alunos numa tabela bastante sintética, sendo discutida a partir da análise coletiva de obras de diferentes épocas até a atualidade.

Iniciamos, então, um jogo interpretativo. O objetivo do jogo era analisar a “função poética” da obra, ou seja, observar os elementos que o artista “selecionou” e como os “combinou”, discernindo entre as demais funções da linguagem aquela que foi mais enfatizada pelo artista. Portanto, a Função Poética não valia como classificação, pois ela estava implícita em todas as obras. A única regra desse jogo era a de que não existia uma classificação correta, o importante era o aluno saber justificá-la a partir das características (seleção e combinação) que ele observou na obra.

As primeiras análises foram feitas coletivamente para que os alunos se familiarizassem com os conceitos e a dinâmica interpretativa. Depois, divididos em grupos, analisaram em rodízio um conjunto específico de obras. Por fim, foi feito um fórum coletivo no qual os diferentes grupos apresentavam a sua análise sobre cada uma das obras. Entre concordâncias e discordâncias, o debate se tornou intenso, sem vestígios daquela inibição comentada inicialmente.

Ao final do curso realizamos uma visita com os três grupos de alunos ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), que expõe seu acervo de modo cronológico, desde o barroco brasileiro até a arte contemporânea. Utilizando o mesmo quadro teórico, pudemos observar que havia uma lógica histórica no modo como os diversos fatores do processo são enfatizados nas obras. Dentre tantas reflexões e discussões, fomos conhecendo, observando e percebendo, por exemplo, que, a partir da segunda metade do século XX até a contemporaneidade, observa-se o abandono dos materiais tradicionais da arte em favor do uso de novos suportes e tecnologias (canal), bem como o surgimento de obras que exigem uma postura mais ativa, interativa, do público (receptor).

De todo modo, nesse jogo de ferramentas e brincadeiras, percebemos que cada obra de arte é única e inesgotável, tal como somos, cada um de nós – professores, alunos, pessoas –, em nossos fazeres, apreciações e teorizações sobre a arte e a vida.

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Referências :

  • ALVES, Rubem. Educação dos sentidos e mais. Campinas, SP: Verus Editora, 2005.
  • BARBOSA, Ana Mãe; CUNHA, Fernanda Pereira. Abordagem Triangular no ensino das artes e cultura visual. São Paulo: Cortez, 2010.
  • JAKOBSON, Roman. Lingüística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1969.

Contexto de Produção: Texto produzido como registro da disciplina ministrada no Curso de Extensão em Educação Infantil da UNIRIO.

Produtor - contato: cei.unirio@gmail.com

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Provenance dph

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